sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mais um dia 26 de dezembro

Hoje faz 12 anos que meu pai nos deixou, e o sentimento só não é o mesmo de 12 anos atrás porque a cada dia que passa a saudade aumenta. Esse texto eu fiz ha 2 anos, e li na missa de 1 ano da morte do meu avô e 10 anos da morte do meu pai, transcrevi alguns trechos aqui. Natal será sempre uma época meio estranha e cheia de lembranças boas e ruins, mas a imagem que ficará pra sempre é a de um pai alegre e um avô sorrindo.

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"Pode ser até um pouco tarde pra falar tanta coisa que eu sempre gostaria ter dito, mas minha fé me faz pensar que hoje mais do que nunca tudo o que penso ou falo é ouvido por eles. Todos aqui sabem quem foi Clodoaldo Oliveira, ou pelo menos já ouviram falar (bem). Tudo o que escuto é que meu avô era um homem acima de tudo bom e justo, acho que essas são as palavras que melhor o definem. Mas poucos sabem como ele era simplesmente 'Vovô Clodoaldo', ou apenas seus 21 netos e 11 bisnetos saibam. Em alguns lugares sempre fui recebida como a 'neta de Clodoaldo' e isto é até hoje. Pra mim, ele sempre foi uma pessoa que eu admirei, mesmo que em silêncio. (...)

Até mesmo quando ele já não estava mais lúcido me ensinou algo. A palavra 'obrigado' nunca deixou de ser pronunciada quando lhe era feito algo para seu bem-estar. Nunca o vi reclamar de nada, até quando a ocasião permitia. Na maioria das vezes nos comunicávamos apenas pelo olhar, ou pelo aperto de mão, e como era gratificante o ver sorrindo quando pronunciava algo em seu ouvido! Não existe nenhuma recordação ruim que eu possa ter de vovô.

Ele sempre foi como um pai, especialmente depois que perdi o meu aos 13 anos de idade. Vovô, ainda lúcido, não deixou de ir um dia sequer em minha casa pra saber se estava tudo bem ou se precisávamos de algo, fez tudo para que eu, minha mãe e minhas irmãs nos sentíssemos confortáveis diante da enorme perda, e não ficássemos sós. Ele sempre fez questão de mostrar que podíamos contar com a família que ele construiu. E hoje, mais do que nunca, me orgulho da família que tenho. (...)

Hoje, celebrando 1 ano da partida do meu avô e 10 anos da partida do meu pai me sinto triste por não tê-los mais ao meu lado, digo com toda convicção que só quem perdeu um pai sabe a falta que ele faz em todos os momentos da vida. Meu pai também sempre foi um exemplo para mim, não existem palavras que possam descrevê-lo como pai, marido, filho, irmão e amigo, todos que o conheceram sabem o quanto ele era especial e apenas eu, minhas irmãs e minha mãe sabemos o que ele significou para a construção de nossas vidas. Não há um dia em que eu não deseje apenas dar aquele abraço apertado no meu pai, ou ouvir o silêncio do meu avô, sinto falta de todos os momentos felizes que vivi ao lado dos dois. Mas fico satisfeita em saber que hoje eles estão juntos e intercedendo por todos nós, com certeza estão podendo nos ajudar mais agora que em vida, e esse pensamento é o que me conforta."

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Saudade eterna!

Um comentário:

Rodrigo disse...

Minha querida, em momentos assim você sabe com quem contar. Eu estarei sempre de "ombros" abertos por você. Bonito texto!

Saudade grande!

Abraços apertados!