sexta-feira, 26 de agosto de 2011

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Ontem foi o enterro de Diogo, um quase primo que eu convivi durante toda minha infância. Quase primo porque ele na verdade era primo dos meus primos, mas na verdade essa família eu sempre considerei como minha também. Diogo tinha 27 anos, e morreu assim, de repente, depois de jogar a pelada da quarta-feira, tinha amigos por onde passava, uma família unida, uma namorada de longas datas, fundou um bloco de carnaval, ganhou prêmio, enfim, era uma pessoa querida por todos.

Foi um choque para todos...

A gente sempre aprendeu que a ordem da vida é: nascer, crescer, envelhecer e morrer. É assim que deve ser, não dá pra entender que essa etapa seja interrompida no meio, essa é a ordem natural das coisas. Ver uma mãe chorar a morte de um filho é uma cena que dói, mas aquela dor apertada, de querer fazer algo e não poder. Quando uma fatalidade dessa acontece a primeira pergunta que vem é: porque uma pessoa tão jovem, tão cheia de vida, com tanta coisa pra viver ainda? Cada um com sua fé (ou falta de fé) vai responder de uma maneira.

Aos 13 anos eu perdi meu pai. E foi assim, de repente, a noite estava perfeitamente bom, no outro dia, antes que eu pudesse acordar ele estava em coma. É muito difícil acreditar quando algo assim acontece, surgem muitos questionamentos que aos poucos a gente vai superando, e eu acho isso perfeitamente normal porque a dor da perda é muito grande. Mas nunca perdi minha fé. Sempre pensei que meu pai morreu naquele momento porque foi uma pessoa tão boa a vida inteira, que fez tudo o que coube a ele, e chegou a hora que Deus disse "Pronto, sua missão já foi cumprida", se ele foi embora cedo demais pra quem ficou, é porque a falta nos torna egoístas, ninguém quer ficar longe de quem ama.

E é assim que eu penso... quando uma pessoa tão jovem e cheia de vida morre, é porque ela foi tão "precoce" por cumprir seu papel nesta vida e Deus a leva para o seu lado, para que a partir dali ela possa continuar a fazer o bem, só que de outra forma. Penso que meu pai está mais perto de Deus, então peço a ele em minhas orações para "mandar o recado", e pensar assim não me deixa perder a fé, mesmo nos momentos mais difíceis como os de agora, quando a gente perde mais uma pessoa.

Na missa de sétimo dia do meu pai o padre contou uma história que nunca esqueci. Ele disse que quando era criança fez uma viagem de trem com a mãe dele. Num determinado momento o trem parou e a mãe dele desceu, mas ele se distraiu e ficou dentro do trem, só quando deu a partida que ele percebeu que estava sozinho e ficou desesperado, achou que tinha perdido a mãe pra sempre. Na parada seguinte ele desceu e ficou ali parado pensando no que ia fazer da vida a partir dali, sem a mãe, que era tudo pra ele. Nisso o trem seguinte parou e a mãe dele desceu, viu o desespero do filho e disse que ele não se preocupasse porque ela nunca deixaria ele sozinho.

E a moral da história é que mesmo que desçamos em estações diferentes a gente sempre vai se encontrar depois, e nunca estaremos sós.

Embora a dor da perda seja inconsolável no início, com o tempo essa dor se torna uma saudade... um monte de boas recordações, porque os bons momentos vividos jamais serão esquecidos, e quem morre jovem é porque soube aproveitar a vida ao máximo.

6 comentários:

Patryk Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Patryk Melo disse...

belas palavras, querida!!

tudo ao seu tempo e no seu tempo!!

que Diogo esteja na Paz Divina!!

=]

Bjos

Aline disse...

É triste quando alguém parte assim tão novo, a gente fica sem entender, mas Deus sabe o que faz... realmente acho que vc tem razão, ele provavelmente já havia cumprido a missão dele na terra...

Que ele descansa em paz...

Beijos

Elzinha disse...

Mariana querida, este texto veio mesmo a calhar. Estou passando a mesma dor e somente Deus e o tempo para serenar os corações.
Adorei o teu espaço.
Já estou te seguindo.
Boa semana e um beijo

Razek Seravhat disse...

A morte além de nos esperar, também, pode nos desesperar. Pior é morrer em vida.

Ternura sempre!

Anônimo disse...

Que lindo, vivi o mesmo, senti o mesmo ;)