segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Lispector


“Acredito que as pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo. Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo. Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros vão falar mal de você com esses outros. Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa. Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo. E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas. Ou em nada mais.”
(Clarice Lispector)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mar de Mariana



Um amigo me enviou essa música hoje que eu não conhecia, e simplesmente amei! O mar é para mim algo tão essencial como comer, dormir... ele tem o poder de me acalmar em questão de segundos, basta olhar para o horizonte, sentir a brisa, pisar na areia, ouvir o barulho das ondas! O mar é meu sim!

"Uma menina me disse que aqui
Há um mistério que nunca se viu
Brisa do mar em pleno matão
Lua cheia na escuridão
Um pescador de sereias
Veio de barco com a rede nas mãos
Dizendo que ia pegar
A mais bonita do mar
Mas não há delas aqui no matão
Só se for no meu ribeirão
Diz a história
Que existe um mar nas Gerais
Dele nasceu Mariana tempos atrás
No rosto a pele macia como seda
Brinca com o azul do olhar
Feito areia riscando o oceano na praia
O brilho do seu cabelo dourado
Faz nos ombros desmaiar
Toda beleza como o sol
Deitando nas águas
É o mar de Mariana
Mariana também tem mar
Mariana, Mariana, Mariana
Mariana também tem mar
Mariana, Mariana, Mariana
É o mar de Mariana"
(Cláudio Fraga)

E como diz Nando Reis: "Quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor"

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Prato difícil de preparar


Porque minha família é o melhor prato que existe!

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema... Não é pra qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes dá até vontade de desistir... Mas a vida sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela,  a mais apaixonada. A outra, a mais consistente... Já estão todos ai? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar, tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa, é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga desandou a receita de toda a família só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Manière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só pra manter a linha. Seja como for, família é prato para ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco feito eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.

Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

(Trechos do livro "Arroz de Palma" de Francisco Azevedo)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Via Láctea


Quando tudo está perdido sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia, não é?
Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção, mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido eu não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso
Não me dê atenção, mas obrigado por pensar em mim

#legiaourbana

terça-feira, 17 de abril de 2012

Para refletir...

"Mulher não se cansa. A gente tem essa coisa de ir até o fim, esgotar todas as possibilidades, pagar pra ver. A gente paga mesmo. Paga caro, com juros e até parcelado. A gente completa o percurso e, as vezes, fica até andando em círculos... mas não tem preço sair de cabeça erguida, sem culpa, sem 'e se'!"

quarta-feira, 28 de março de 2012

Resposta

"Bem mais que o tempo que nós perdemos, ficou pra trás também o que nos juntou. Ainda lembro que eu estava lendo, só pra saber o que você achou dos versos que eu fiz, e ainda espero resposta. Desfaz o vento, o que há por dentro desse lugar que ninguém mais pisou? Você está vendo o que está acontecendo? Nesse caderno sei que ainda estão os versos meus, tão seus que peço, nos versos seus, tão meus, que esperem que os aceite. Em paz eu digo que eu sou o antigo do que vai adiante. Sem mais, eu fico onde estou, prefiro continuar distante."

(Nando Reis)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Envergo mas não quebro

Show de Lenine se aproximando... iupiiii \o/
Nova turnê lançando o disco "Chão", e pra mim a melhor música é essa, perfeita, como todas as músicas dele!

Envergo mas não quebro

Se por acaso pareço, e agora já não padeço
De um mal pedaço na vida
Saiba que minha alegria não é normal todavia,
Com a dor é dividida
Eu sofro igual todo mundo,
Eu apenas não me afundo em sofrimento infindo
Eu posso até ir ao fundo de um poço de dor profundo
Mas volto depois sorrindo
Em tempos de tempestades, diversas adversidades
Eu me equilibro e requebro
É que sou tal qual a vara
Bamba de bambu-taquara
Eu envergo mas não quebro
Não é só felicidade que tem fim na realidade
A tristeza também tem
Tudo acaba, se inicia, temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem
Quando é má a maré, e quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo
E tal qual um barco solto sai do alto-mar revolto
Volto firme pro meu eixo
Em noite assim como esta, eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro
Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A mulher de câncer


   Ela é meio doida, qualquer coisa triste e surpreendentemente sábia. Não são extremistas como as geminianas, mas certamente sofrem, regularmente, de uma variação de humor pelo fato de que se ressentem fácil com as coisas. No entanto, se tem uma coisa que não muda na mulher de câncer é o seu senso de economia. São conhecidas no zodíaco pelo porquinho de segurança onde colocam moedas, convictas e determinadas. Escondem seu tesouro debaixo do colchão e ninguém desconfia que tem alguma coisa lá, tamanha é a modéstia dessas meninas.E é bem provável que a especulação monetária e o valor do câmbio sejam alguns de sues assunto preferidos.
   Mas não ache que por isso precisa lhe dar presentes caros. pelo contrário, ela achará isso em exagero. A mulher de câncer definitivamente não precisa de um homem de posses, só precisa que ele seja capaz de adquiri-las. Ajudará a consegui-lo, mas lhe deixará sozinho se tiver que gastá-lo. Boa notícia! O cartão de crédito não poderia estar em mãos menos perigosas do que as delas.
   Leve-a para ver o mar, a lua. Isso faz bem às nativas desse signo. Câncer é um signo lunar.Então esse cenário mexe seriamente com essas mulheres (algumas chegam a mudar de acordo com as fases da lua). É ali, num lugar que é delas, e só delas (mesmo que seja tão grande quanto o mar), onde se desfazem da carapaça do carangueijo e a imensa infinidade de seus sentimentos respiram aliviados. E ai você vê como, apesar da aparente rigidez, a canceriana é inteiramente feita de água salgada. Pode ser de mar, pode ser de lágrimas. Câncer é o signo mais emocional do zodíaco. A racionalidade de suas economias nada mais é que uma resposta ao seu desejo de segurança.
   Das duas uma: quando elas estão apaixonadas ou são tão tímidas que parecem desinteressadas, ou se insinuam de jeito delicado, feminino e enlouquecedoramente suave. Mas dificilmente serão elas que tomarão a iniciativa. O carangueijo só anda para os lados. Até porque as cancerianas temem muito serem rejeitadas e aceitam sempre muito bem repetidas confirmações de afeto.
   São donas de um conceito de amor muito raro e é realmente muita sacanagem brincar com o sentimento dela, já que são tão afetáveis. Esteja certo: uma vez que ela se sinta magoada e decepcionada, veste decidida sua carapaça e você não sabe mais quem está ao seu lado (isso se ela não está trancada na carapaça do quarto dela e só Deus sabe quando ela vai sair de lá). Magoá-la é extremamente fácil. Até se você disser que ela está bonita hoje, pode ser coisa ruim (sim, porque isso significa que ela estava feia ontem).
   Cancerianas são assim. Dispostas a enfrentar o que for se você expressar sinceramente que está com ela e que ela é importante. Amarão alguém de um jeito delicado, forte e profundo como o oceano dentro delas. te fará rir, lhe oferecerá segurança, bem como estará disposta a sair do caminho de casa e ver onde vai dar aquela estradinha de terra. Basta que você esteja lá!

Fica a dica!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O melhor da terapia

Texto enviado por minha mãe, que é psicóloga, dedico a todos que, assim como eu, fazem terapia!

"O melhor da terapia é ficar observando meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete loucos todos os dias, meses, anos, se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos, e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha pra ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto apulo coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos: na última quarta-feira estávamos:

1. Eu,
2. Um crioulinho muito bem vestido,
3. Um senhor de uns 50 ano, e 
4. Uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão não estariam ali tão cabisbaixos e ensimesmados.

2. O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba". Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava umas olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

3. E o senhor de terno preto, gravatas, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total. Medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

4. Mas, a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de 30 anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de que mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri... ri muito, o meu psicanalista, e diz:

- O Ditinho é nosso office-boy;
- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios la no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
- A gordinha é Dona Dirce, minha mãe.
- E você, não vai ter alta tão cedo!"

(Luis Fernando Veríssimo)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Dias melhores


"Vivemos esperando dias melhores
dias de paz, dias a mais,
dias que não deixaremos para trás.
Vivemos esperando o dia em que seremos melhores
melhores no amor, melhores na dor
melhores em tudo.
Vivemos esperando o dia em que seremos para sempre,
vivemos esperando dias melhores pra sempre."

Que 2012 tenha dias melhores!!